Sessão 4 - Fogo em alto mar
Mal, Baleia e Tawden decidem finalmente cruzar o mar de Abrunaz em companhia da Madame Glum, política e nobre de Norus. A viagem até Norus seria de extrema importância pois nessa travessia muito estava cruzando o grande mar. Em suas águas viajavam os anseios de Tawden de conhecer seus pais por intermédio da senhorita Yslin, a sede de aventuras e treinamento de baleia e os segredos que o diário da adaga da serpente carregava. Era tempo de desbravar o mar de Abrunaz e, dessa forma, os heróis se lançam num navio de passageiros em companhia da Madame Glum.
Os primeiros dias se passam com a calma de uma maré baixa, pacata e calma com o quebrar das ondinhas no casco do navio. Era um navio de passageiros que, obviamente, possuía alojamentos especiais para gente rica como um nobre de Norus. Tudo parecia muito bem entre as noites de histórias e amenidades contadas pelo capitão Bolo, chefe daquele navio. O clima suave que a brisa de Abrunaz trazia estaria para acabar em meio a um grito vindo da gávea: "Capitão! Preparar! É vela negra!"
Ao pegar o monóculo das mãos do capitão, Tawden e Mal não podiam acreditar: eram piratas. Os mares de Abrunaz agora fervilhavam com piratas sujos por todos os lugares. Meses atrás uma carga de canhões foi roubada nas barbas do reino e agora os corsários estavam atacando no mar comercial. Era uma afronta muito grande! O mar de Abrunaz é uma espécie de golfo interno usado apenas para comércio entre os reinos. O caos chegava a um nível jamais visto desde o falecimento do pai de Ufuhciq. Algo fedia muito mais do que aparentava e o navio do capitão Bolo estava para ser dilapidado por um grupo de bandidos.
A luta era inevitável e se inicia no final da quarta noite. Mal se posicionava na gávea para evitar ser atingido nos combates e Tawden ficou no convés para proteger as pessoas e a Madame Glum. Desse modo, em equipe, uma luta se inicia e as conclusões seriam bastante trágicas. Piratas invadiam o convés do velho navio de passageiros decepando toda cabeça que viam pela frente. Tawden conhecia os trejeitos dos piratas. Se fosse possível apenas roubarem e saírem sem luta, eles prefeririam pois os piratas sabiam que a embarcação não possui armas bélicas. Isso também era muito estranho pois os piratas atacavam como bárbaros no campo de batalha. Não havia saída, Tawden e Mal precisavam lutar.
Num impulso, Tawden mata dois piratas que invadiam o convés enquanto Mal lançava suas bolas de fogo contra a vela da embarcação pirata. Porém não era um navio pirata comum, Mal logo percebeu que se tratava da bandeira do capitão Teowu, famoso vigarista que atacava a costa. Tawden é alertado disso e imediatamente pega de uma das cordas do mastro e, como se estivesse na selva, com o ímpeto do vento em seu rosto, pula para tentar ceifar a vida do pirata. Era uma manobra complicada. Tawden estava cercado de nove corsários e a morte parecia sorrir para o implacável soldado de Awdarek.
Numa manobra inteligente, Mal sacrifica sua posição estratégica para distrair os inimigos para que Tawden tivesse uma chance de matar Teowu. A bola de fogo de Mal acerta a área do convés inimigo e era isso que ele precisava para avançar até as lâminas de Teowu. Tawden foi treinado na rigidez de Awdarek e recebeu lições avançadas de combate e acrobacia. Alguns poucos soldados não seriam páreo para sua indolência. Tawden corre e avança. Pula e gira. Esquiva e golpeia até que desfere um golpe mortal em Teowu.
Não era o bastante. O capitão pirata era brilhante com sua perícia nas lâminas e defendeu as investidas de Tawden como se não empregasse o menor esforço. Eles entrecruzam suas lâminas próximos um do outro colocando toda a força de seus músculos um contra o outro: "Não pode me matar, Tawden! Seu primeiro erro será o seu último!" Mal ia soprado ventos mágicos para tirar a embarcação aliada para longe dali e Tawden precisava pular no convés ou ficaria preso no navio do infame pirata. Se Tawden caísse no mar, morreria pois sua armadura era pesada demais. Não havia outro jeito e cerrando os dentes e a testa num claro sinal de fúria e decepção por não ter acabado com a vida de seu formidável inimigo, Tawden esbraveja: "Foste salvo pelo gongo, maldito! Voltaremos a ter contigo para te encomendar pros braços de Bifuuz!" Desse modo, o valente soldado de Awdarek pula para a segurança do navio de capitão Bolo para finalmente poderem chegar a Norus deixando os piratas para traz.
Dias de calmaria se apresentam até o fim da jornada e a comitiva finalmente atraca no grande porto opulento de Norus. Ao longe suas casas e telhados faziam um mar de construções enquanto as pessoas cuidavam de suas vidas atarefadas. O que estaria esperando Baleia, Tawden e Mal naquelas terras? Teria sido uma tolice ir assim para uma missão sem ajudantes ou soldados de Ufuhciq? Isso era uma incógnita que o sangue aventureiro de Mal e Tawden estava disposto a descobrir.
Ao chegarem nos atracadouros, uma requintada comitiva esperava a senhora Glum que, prontamente, agradecia a Tawden e Mal por terem salvado sua vida e dos inocentes à bordo. Ela deixou bastante claro que os esperaria em uma de suas mansões em três dias e que eles poderiam se instalar no Shebas por conta dela, sem pagar nada por isso. Fazendo um gesto de cortesia e educação, Mal inclina sua cabeça fazendo reverência à velha e sábia senhora e parte para o Shebas.
Ao chegarem no Shebas, Tawden e Mal estavam vestindo suas roupas oficiais de Awdarek. O proprietário sabia que se tratava de gente importante ligada ao rei Ufuhfiq e que deveriam ser bem tratados. Ao receber a carta de autorização da Madame Glum, o taverneiro abre de seus olhos estupefacto de alegria por ter seus bolsos cheios e exclama: "Sê bem vindos, meus senhores! Bem vindos ao Shebas! Ficarão no melhor quarto da taverna!". Apesar de ser dia, o local já florescia de mulheres de inenarrável beleza e graça, eram cortesãs. Ganhavam a vida vendendo seu corpo e sua companhia. No entanto, essas moças do Shebas não deveriam ser confundidas com as rameiras de Tupré ou Awdarek. Não, por Bifuuz! Eram mulheres que poderiam ser companhia num jantar na corte sem ninguém sequer notar a diferença de uma filha de um nobre. A decoração do lugar era estonteante e tudo parecia muito fino, desde os tapetes ornados importados de Fedalk até os quadros de altíssima qualidade pintados por um homem chamado Ehlark.
Ao se instalarem no primeiro andar do Shebas, Tawden, Mal e Baleia vislumbram o por do sol agitado da cidade de Norus sem saber o que suas ruas, rostos e segredos teriam guardados para eles. Uma nova aventura se aproximava e suas conclusões eram incertas nas vastas terras das lendas de Dabady.



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